As palavras naturais escapam da boca, sorrateiras, lambidas em algum instinto animalesco e quase dês-contentes.
Auto-zoomorfização que me arranca a razão e mesmo assim prega as quatro partes no chão. O chão é quente. Quente também é aquilo que pulsa nas veias, um líquido vermelho qualquer que jorra e injeta meus olhos.
Ressaca constante da velha bebedeira de vinho e sangue tinto, mistura que mancha de tragicidade algo que devia ser tão, tão simples.
Como o mestre que é obra de seu criador sambo na esquizofrênica Caieira e me ensandece a vontade de resumir meus pedaços a intransitividade.
Fugi, corri, morri.
Devorar é cheio de possibilidades sempre esvaziadas.
Eu quero. Ponto. Mato qualquer complemento necessário.
Momento tão enjoativamente superlativo me acomete como um banho de tinta. Hoje é algo que não nascia ontem e terá se apagado amanhã. Sobram as linhas fracas da caricatura medonha descascando o doce aprisionamento.
Estar preso por meias vontades, por meias verdades, por meia covardia e por inteira miragem. Grita a epifania esganiçada. Todas as dúvidas se vão, todos os sentimentos se vão, todo desejo se nega, quase tudo decidiu pelo não.
Gotas que me transformaram em sinestesia fogem pelas frestas, entraram pela janela banhando de lua os pensamentos, agora saem envergonhadas por debaixo da porta.
Sobrevive o gosto avermelhado tão agradável aos meus ouvidos. Textura que não me diz nada canta a trilha sonora das minhas meias tristezas.
Melancolia juvenil. Os olhos verdes do herói daquele primeiro livro, os olhos igualmente verdes do monstro de Otelo, também aqueles que me viam apaixonada aos 15 anos e os que hoje me assistem vagos e perdidos na minha bipolaridade.
O mar é balanço enjoativo e instabilidade perpétua. Espreito com as esquinas de meus olhos mancos a curva que te contém adiante e todo esse sal me incomoda.
Apareceu bulindo com minhas idéias pregadas e eu te des-costurei. Deixa... Sem foto o porta retrato que sempre habitou vazio o meu criado mudo.
Mudo. Não fala.
Mudo. Vou pra outro lugar...
Contanto que seja longe o suficiente para me encontrar.
domingo, 30 de setembro de 2007
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