Não estava mais com sede... Mas de qualquer forma seria melancólico ver o fundo desse copo. Marcaria o fim de algo.
A dor de estômago que me gerava a falsa fome corria garganta a fora causando o enjôo familiar. É a sensação que sempre acompanha o fim do riso.
Saio do cômodo vestida de vermelho, a mais bela blusa vermelha que tenho. Como se fosse importante pavão para que todos olhassem a vermelhidão que passava.
Prepotência engarrafada. Bebo sem querer ver o fundo da taça.
Seria lamentável que o caminho acabasse.
O corredor parecia enfumaçado e eterno, os padrões quadriculados do chão me causavam risos pulmonares. Preto, branco, preto, branco. Era o jogo de xadrez humano e eu uma peça vermelha.
Os passos intermináveis iam felizes pelo corredor tão interminável.
Passos que batiam ocos no chão, ora pulando nos quadrados brancos, ora nos pretos. Uma amarelinha descolorida que ganhava de fundo uma trilha sonora descompassada com o ambiente.
Desafinada para a falta de fim do momento.
Não ouvia a música, os passos, as conversas, podia apenas escutar o vermelho que me deu ares poderosos.
Tinha cheiro de baunilha e notas semi-breves.
Se o jogo de xadrez acaba logo adiante encontro outro tabuleiro para prolongar a brincadeira.
Entro no cômodo vestida de preto. A blusa mais comprida que tenho, me esconde da esquina de outros olhos.
A chave tilinta no trinco. Grande demais.
É o vermelho de copas o preto de espadas em uma partida de Alice no país das Maravilhas. Puxo a carta que sustenta o castelo e pedaços pretos e vermelhos voam batendo os naipes pelo chão da sala.
Termina o líquido escuro do copo em um grito penetrante de felicidade pueril. É criança espremida em um canto qualquer do corpo. Suco.
A cama chama e chama...
Meu corpo procura a cama.
O lençol frio fez deixar os jogos e as roupas para trás...
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