segunda-feira, 28 de maio de 2007
Árvores
Longe
Da hiper-atividade dos oito anos incompletos
Lembro do homem envelhecido e manco porta dentro entrando
Sentou e nada do que foi dito me pareceu relevante
Eu pulava atrás dos sofás
Gente desconhecida atraia minha atenção
“Ela vai gostar muito de plantas”
Ao que eu respondia
“Gosto de animais”
Seus olhos jamais pousaram sobre mim
E dirigida diretamente nunca uma frase
Disse à mamãe
“Melhor que ela vá para o quarto, vou falar sobre você agora”
Assim saí, fui dormir... Pensando que não gostava de plantas.
Quantos anos depois o assunto me acometeu
Que tinha sido feito de tudo aquilo?
Mas... me contaram
Meu destino estelar nunca foi escrito, o de mamãe jazia em casa solitário
Sobre mim mais foi dito, a apenas um par de orelhas que não quis falar sobre o assunto
A boca havia morrido
Minhas estrelas enterradas ali
Os olhos de mamãe vezes recaem sobre mim oblíquos
Acompanhados de suspiros lamentantes
Ou de sorrisos pregados
Despedem–se logo para cuidar de si
Deixa a noite em seu lugar
Uma estrela pode ter morrido...?
Que foi feito então de meu destino?!
Planta a vida aqui para ser mantida no lugar
terça-feira, 22 de maio de 2007
domingo, 20 de maio de 2007
Carta de dês-amor
Sentir calor só de respirar o ar denso do seu corpo cansado.
Vejo em você tudo que eu já tive. Não sei se são os olhos esverdeados que me acompanham, o monstro de olhos verdes Shaquesperiano, ou se simplesmente decidi assim.
Que gosto de ter nos braços todos os amores já sentidos, todo aquele ardor tão concebido e já quase esquecido. É seu rosto que me faz lembrar da infantilidade que passei...
A carência é luz que lambe o corpo nu, e eu a sinto só, pois solidão não vem em conjunto.
Que estou sozinha em mim-comigo-e-sem-mim, pois não posso deixar de me ser. Gosto de não ser.
Não é mais tempo de dar atenção a integridade não é ela que me esquenta ou me mantêm sã.
Comprei os valores com qualquer epifania barata de supermercado com a nota bêbada e amassada do fundo da carteira.
Então vejo sorriso meigo que de tantos outros sorrisos meigos é grande e apaixonado. Queria sentir-me amada só de olhar, completar o que saiu pela culatra.
Tangencia a pele sem jamais tocá-la, mesmo com a mão cheia que me aperta o corpo contra a parede.
Que meus suspiros e gemidos são apenas o teatro diário para agradar, seja meu ego, seja seus desejos que tentam me consumir. Não, não consegue. Que tudo que me acompanha te impede.
São amarras in-seguras que te ligam a mim... Que se quebram e te derrubam.
Piso, por que posso. Piso, pois sei fazê-lo. Piso, não importa mais...
Que me tenho toda pra mim, contida no frasco de perfume, embebida em qualquer outra coisa sem álcool. A embriaguez passou e as flores do jardim já não riem de mim, de fato, as flores do jardim não são mais flores.
Ando no quintal toda quintana, mariando frases de efeito, procurando em vão por todos os cantos os óculos perdidos que mudos estavam na ponta do nariz.
A busca acabou e os óculos continuam perdidos só um palmo adiante, dês-importante, as vistas se acostumaram com o não-ver. Gosto de não ver, de não ter que ver e então não precisar me justificar.
Enterrei os valores na terra imunda e sem lapide e me bastei.
O corpo úmido de lambidas de luz treme no instinto.
Que sou toda vinho tinto prestes a te em-tornar tudo aquilo que já vivi.
Convenço meus próprios botões cansados que é assim e então acredito no que quero.
E ainda assim, me faz falta o gozo interno, o amor eterno que já desacreditou, a saudade de sentir saudades bateu na porta e adentrou...
Bebo o frasco de perfume para que cresçam as flores por dentro e que saia da boca o bafo embriagante do álcool, ou... Esqueço de começar de novo e continuo andando.
Eu não espero... Apenas... Ando...
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Helena 5
Suas curvas eram perfeitamente humanas, não mantinham o padrão das capas vagabundas das revistas, mas a agradavam. Os traços pareciam familiares e o sorriso indocil completou seus vapores apanterados.
A boca ressecada mordeu-se. A mão foi de encontro sentí-lo. Como se o desejo incontido estivesse ali na pele gritante de poros abertos. Exibia-se sabiá, tinha, contudo, as penas anoitadas.
Helena era ponto aleátorio toda costurada em carne e sangue. Ponto. Às vezes a perturbava perceber a momentaniedade. O que é superlativamente impressindível torna-se antes que percebamos tédio, monotonia... Deve ser esquecido.
Era ponto de convergência, mas divergia.
Diante de seu olhado reflexo pensava em si despensando em si sendo si des-sendo si, descia as mãos por si. Mãos encandidadas pela falta de sol, marcadas por toda a loucura passada. Superlativo! Que passado o dia cedia ao sen-sen-tidismo.
Se gritasse pecado, ninguém ouviria, nem a própria Helena, nem Helena refletida. A regra fora desrespeitada ontem, hoje outro dia.
Faltava-lhe o remorsear, faltava dar valor às árvores que plantara no jardim. Estariam lá no dia seguinte. Para o inferno! A vida dura na história menos de um dia.
Erva-daninha do jardim daquelas rosas-rosas.
Vivia.
Os lábios finos libertaram um sorriso igualmente fino. Apaixonara-se por aquele momento de auto-julgamento. Senhoras e senhores membros do juri... Helena entranhou a todos vocês.
A verdade a via de volta amigavel, acariciando o que tocava. Deixem-na com seu prazer bipolar. Com o pavonear de suas inseguranças. Com os caleidoscópios que misturam as reaissurrealidades.
Um segundo de distração.
Os olhos a olharam de volta. O gosto amargurado voltou-lhe do estômago. Não era mais Helena que via o reflexo, mas o reflexo que a via.
As mãos descolaram do corpo, contudo a vontade própria de sempre era familiar, estranguladora. A boca costurou o riso. Os ouvidos ouviam gritos gritados. Gritavam tudo que não queria ouvir.
Sentenciavam seus dias anteriores, seus prazeres de ontem. Ponto de carne e sangue sentia o desalinho, vozes rotas que não podia suportar.
Seus dedos apertavam as palmas, perfuravam-nas. Redenção. Redenção? O flagelamento desencadeado, maquinal, automatizado. Bastaria? Serviria? As mãos estranguladoras eram menos doloridas do que as palavras igualmente estranguladoras.
As dúvidas cessaram de súbito com o emudecer dos gritos e com a explosão. Os olhos queriam fechar. Não fecharam. A mão queria abrir. Não abriu. O corpo queria cair. Não caiu.
O braço subiu.
Helena em cacos no chão.
O ponto costurou seu sorriso na carne.
Helena saiu.
Para amanhã não se importar com ontem.
Pecar?
Divergir.
OBS
tem espaços... MUITOS espaços ao longo do texto..
o blog se revoltou
e comprimiu tudo!!
me restou engolir o comprimido mesmo...
Dês-inchando
Apague o som e tire as luzes.
Rápido o suficiente para que eu não sinta dor.
Tranque a janela por fora e puxe cortina sobre a porta.
Assim tudo voltaria ao seu lugar.
Para que as mãos me procurem de novo.
Rabiscar meu corpo com os dedos firmes de giz de cera
Deixar tudo colorido, tudo cafonamente colorido.
Para que eu possa brincar dessa felicidade esquisita.
Que nunca pude entender.
Brincar de marido e mulher
Daquele desgosto todo que é
Estar preso
(Mesmo que) por vontade
Bebericar da rotina em cálice de prata
Planejar o nome do cachorro
Entrar em um consenso sobre o nome dos filhos.
Dês-aprender
Largar de mim num precipício
Desistir da utopia juvenil antes mesmo dos vinte anos
Para ser tida responsável e uma menina direita
Que sou esquerda e toda torta
Tentam... In-direitar
Meus olhos amarelados vêem
Esse futuro glorioso
Ir trabalhar de amanhã e ter o jantar quente em casa
Como foi seu dia?
Blábláblá diário de como o país é uma bosta (perdão)
De como nada vai pra frente...
Prefiro andar de trás pra frente
De costas para o que vai acontecer
Tenho paixão pelas surpresas
Enfrentando de peito aberto o que vier
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Para de passar o tempo à toa!
Menina tola!
Rabiscando escrevendo fotografando
Que isso não leva a nada
Larga dessa meninice!
É apenas uma meninota
Sem-graça
Esquisita
Meio (ou inteira!) largada
Deixa tudo isso de lado!
Esquece
Em-mulhereça
Leva o espelho contigo
E não esqueça a maquiagem
Senta e estuda menina torta
Que teu futuro já esta escrito
Vai ser esposa do filho do meu amigo
Que é bonito e muito rico
Vai ter tudo o que quiser
Um casarão
Abarrotado de coisas caras e in-úteis
Festas de gente importante
Viagens, carros, jóias
A folga eterna do trabalho
Muda
Transforma!
Cala
Mente!
Seja o necessário
Nem menos
Nem mais
E assim vai ser feliz...
Muito feliz...