quarta-feira, 16 de maio de 2007

Dês-inchando

Apague o som e tire as luzes.

Rápido o suficiente para que eu não sinta dor.

Tranque a janela por fora e puxe cortina sobre a porta.

Assim tudo voltaria ao seu lugar.

Para que as mãos me procurem de novo.

Rabiscar meu corpo com os dedos firmes de giz de cera

Deixar tudo colorido, tudo cafonamente colorido.

Para que eu possa brincar dessa felicidade esquisita.

Que nunca pude entender.

Brincar de marido e mulher

Daquele desgosto todo que é

Estar preso

(Mesmo que) por vontade

Bebericar da rotina em cálice de prata

Planejar o nome do cachorro

Entrar em um consenso sobre o nome dos filhos.

Dês-aprender

Largar de mim num precipício

Desistir da utopia juvenil antes mesmo dos vinte anos

Para ser tida responsável e uma menina direita

Que sou esquerda e toda torta

Tentam... In-direitar

Meus olhos amarelados vêem

Esse futuro glorioso

Ir trabalhar de amanhã e ter o jantar quente em casa

Como foi seu dia?

Blábláblá diário de como o país é uma bosta (perdão)

De como nada vai pra frente...

Prefiro andar de trás pra frente

De costas para o que vai acontecer

Tenho paixão pelas surpresas

Enfrentando de peito aberto o que vier

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Para de passar o tempo à toa!

Menina tola!

Rabiscando escrevendo fotografando

Que isso não leva a nada

Larga dessa meninice!

É apenas uma meninota

Sem-graça

Esquisita

Meio (ou inteira!) largada

Deixa tudo isso de lado!

Esquece

Em-mulhereça

Leva o espelho contigo

E não esqueça a maquiagem

Senta e estuda menina torta

Que teu futuro já esta escrito

Vai ser esposa do filho do meu amigo

Que é bonito e muito rico

Vai ter tudo o que quiser

Um casarão

Abarrotado de coisas caras e in-úteis

Festas de gente importante

Viagens, carros, jóias

A folga eterna do trabalho

Muda

Transforma!

Cala

Mente!

Seja o necessário

Nem menos

Nem mais

E assim vai ser feliz...

Muito feliz...

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