É preciso.
Muitas coisas são precisas...
E ainda assim reluto em aceitar essa necessidade de ter, de ter que ter.
Não me neguem meu próprio desapego, não discutam comigo o que é trivial. Minhas opiniões me bastam.
Fosse talvez necessária a liberdade... Liberta não posso mais me agarrar àquilo que prende as mãos. Algema.
A pena latente no tinteiro a-guarda os dedos que não chegam.
Treme.
Os dedos que seguram o copo... O absinto amar-go faz esquecer o que tem que ser esquecido.
Momento.
Im-preciso.
Os fatos, maduros e embriagados, despencam naquele vazio entre duas linhas até que possam ser enxergados na ressaca, onde tudo é mais incomodo e as epifanias da noite anterior parecem ridículas demais.
Sou ridícula.
Gosto assim. Des-gosto assim.
Mutação diária do sabor que corre a garganta.
Metamorfoseando o que pode ser mudado.
Muda.
Escuto. Os meus próprios passos no corredor. Batem secos, direita, esquerda, direita, esquerda. Tic-tac.
Até deparar-me com a porta. A pedra drummoniana.
Tudo tem que ser aberto! Escancarado! Deixe o minuano entrar... Minuano de histórias bonitas, amores perdidos. Minuano de aventuras malditas, heróis esquecidos.
O instinto leva a mão algemada de encontro à maçaneta. O que tem no peito dispara.
Não se contam mais as vezes que abri essa mesma passagem, conheço, portanto, o que vive do outro lado. Não im-porta, minhas pernas sempre vacilam...
O cheiro do medo é adocicado.
Queria que todo o beijo fosse o primeiro.
Todo abraço fosse, também, o primeiro. Assim como o cheiro quente da praia no verão, o gosto do que depois viraria vício...
Se entregar.
Arrumo meu corpo como se hoje fosse o último dia da minha vida. Se amanhã não houver tempo me dei o presente.
Rasgo a sanidade e as normas de conduta escritas por pessoas que não conheço. Basta de seguir as regras dos outros, é mais fácil burlar as regras em seu próprio jogo.
Dês-preciso daquilo que não seduz, daquilo que não me faz capaz do desejo.
Apaixonar, pelas coisas, para viver. Desiludir para recomeçar.
Se tudo fosse “o primeiro” não haveria a última briga ou a saudade, a vontade e o próprio vício.
Apego minha carne ao que me faz viva. E esta paixão é para o meu próprio desapego.
Não me parece importante.
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