Bananas
O problema das coisas é que se tornaram banais.
Foram despetalando sua importância e sozinhas embeberam-se em tons pastéis. Não gosto, contudo, de discutir com as coisas, seja porque não me respondem, seja porque quando o fazem são sem-sentidistas.
Cansei de papagaiar com elas.
O duelo mental estagnou-se.
A importância frágil tomou um sorvo longo de banalização e perambula em algum lugar de minhas idéias.
Se passo as mãos pelo corpo sinto-o corpo como é.
Sinto-o carne como sempre foi. E perdôo-me de pensar sobre máculas ou poesias alvaresianas. A definição bastou-se.
Foi de olhos abertos que vi e com os mesmos, fechados, que deixei de refletir.
No escuro entre a imagem e fantasia não há como ver se não a brasa morna que encandece com o trago amargo. A fumaça branca dissipa-se como se bailasse, bailarina, como se algo de elegante ali houvesse, como se eu pudesse ver o belo ali por um instante vago que fosse.
O instante já é morto.
Vai-se a fumaça branca do cigarro branco seguro nos dedos esbranquiçados.
Olho acalentando meus sentidos. Provando da sinestesia que escorre pelos cantos de meu corpo.
Retornando à banalidade das coisas.
Se há, pois, o nojo ele enterrou-se e a lápide ficou vazia o funeral desocupado. O cheiro do cigarro naquele corpo perturbante...
O cheiro.
O gosto.
O corpo.
Já não soa repudio, é nota desafinada do acorde daquela sinfonia. Semi-breve.
Possuo então. Possuo porque posso e é simples. O pudor sabe se consumir. Minhas mãos vão ao encontro e depois meus pés vão embora. Como se só os corpos pudessem fazer os momentos e só a banalização pudesse fazer ir-se embora.
Meu corpo é corpo como é, feito de carne como sempre foi e quando está vivo já não sabe mais se vive de maneira augustiana, talvez os anjos tenham voado ou decaído.
Que minha completude é êxtase. Momento. Que meu vazio é eternidade. Pensamento.
Que entre o horror e o encanto, entre o amargor e o gozo, entre a verdade e a felicidade sempre existi. Estavam todos em persona ali aos berros nos meus ouvidos. Palavreavam gritos. Minhas partes se punham a escutar.
Escutavam.
É estrada. É rio. É seco. É caudaloso. Importa que têm curvas e o problema é que em algum momento as coisas se tornaram banais.
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