Queria sentir-me amada só de te olhar.
Sentir calor só de respirar o ar denso do seu corpo cansado.
Vejo em você tudo que eu já tive. Não sei se são os olhos esverdeados que me acompanham, o monstro de olhos verdes Shaquesperiano, ou se simplesmente decidi assim.
Que gosto de ter nos braços todos os amores já sentidos, todo aquele ardor tão concebido e já quase esquecido. É seu rosto que me faz lembrar da infantilidade que passei...
A carência é luz que lambe o corpo nu, e eu a sinto só, pois solidão não vem em conjunto.
Que estou sozinha em mim-comigo-e-sem-mim, pois não posso deixar de me ser. Gosto de não ser.
Não é mais tempo de dar atenção a integridade não é ela que me esquenta ou me mantêm sã.
Comprei os valores com qualquer epifania barata de supermercado com a nota bêbada e amassada do fundo da carteira.
Então vejo sorriso meigo que de tantos outros sorrisos meigos é grande e apaixonado. Queria sentir-me amada só de olhar, completar o que saiu pela culatra.
Tangencia a pele sem jamais tocá-la, mesmo com a mão cheia que me aperta o corpo contra a parede.
Que meus suspiros e gemidos são apenas o teatro diário para agradar, seja meu ego, seja seus desejos que tentam me consumir. Não, não consegue. Que tudo que me acompanha te impede.
São amarras in-seguras que te ligam a mim... Que se quebram e te derrubam.
Piso, por que posso. Piso, pois sei fazê-lo. Piso, não importa mais...
Que me tenho toda pra mim, contida no frasco de perfume, embebida em qualquer outra coisa sem álcool. A embriaguez passou e as flores do jardim já não riem de mim, de fato, as flores do jardim não são mais flores.
Ando no quintal toda quintana, mariando frases de efeito, procurando em vão por todos os cantos os óculos perdidos que mudos estavam na ponta do nariz.
A busca acabou e os óculos continuam perdidos só um palmo adiante, dês-importante, as vistas se acostumaram com o não-ver. Gosto de não ver, de não ter que ver e então não precisar me justificar.
Enterrei os valores na terra imunda e sem lapide e me bastei.
O corpo úmido de lambidas de luz treme no instinto.
Que sou toda vinho tinto prestes a te em-tornar tudo aquilo que já vivi.
Convenço meus próprios botões cansados que é assim e então acredito no que quero.
E ainda assim, me faz falta o gozo interno, o amor eterno que já desacreditou, a saudade de sentir saudades bateu na porta e adentrou...
Bebo o frasco de perfume para que cresçam as flores por dentro e que saia da boca o bafo embriagante do álcool, ou... Esqueço de começar de novo e continuo andando.
Eu não espero... Apenas... Ando...
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Um comentário:
Nossa...certeza q vc fez esse texto pra mim!
Leu minha alma fudidamente...
Como sempre, né?
AMO MUITO
saudades sempre!
TAPS
Cau
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