sábado, 21 de abril de 2007

Adeus Andrade

Diz José! Aonde você vai?
Diz! Para saber se vou ou não contigo
Se corro se choro ou se grito
Ou se me atiro no mar
.............O mar já secou

Anda José! Desembucha!
Que as horas me amar-gam angustias
O tempo é findo para arrumar as malas
O braço esticado reclama do longo a-deus
A valsa vienense da vitrola já cansou
..............O disco riscou

Vai José! Vai pra onde voltará?
Me diz! Pois se muito longe fico
Arranjo a vida remendando
O ponto no pano antigo
E se vierem fios brancos...
.............. O espelho estilhaçou

E então José! Onde meteu as passagens?
Nelas o teu destino e a decisão do meu
Monto contos de fada e castelos no ar
Ou azedo histórias de amor no bar
Basta das amar-ras! Desem-besta homem!
............A corrente quebrou


José partiu.
Numa sem graça manhã de terça
Nem sol nem frio
Eu sabia que, em algum lugar, chovia
Em cima da mesa jazia bilhete de despedida
.................... Em branco.... A tinta acabou.

Nenhum comentário: