domingo, 8 de abril de 2007

Jogatina de Copas

Cansei das tuas manias. Manias que são pretéritas.
Tão bem passadas que quase esturricam na memória. Lembrança que carrega aquele arrepio lento.
Piso descalça apenas para sentir que estou aqui.
Para me entender finalmente sozinha e nua. (Quem sabe) Pela primeira vez.
Tudo mais prático-ável.
Solidão consentida.
Saída pela tangente para entender a matemática inexistente das coisas. Cansei das tuas manias.
Pego me dentro de mim na prisão aveludada, escrevendo melo-dramas adjuntos do bloqueio criativo.
Sempre mais fácil achar a tetricidade da vivência.
Atropelou-me a inocência sem parar para acenar um adeus prosopopéico.
Materializa o sentimento para então falar em sinestesia.
Oculto meus verbos para rotular-me zeugmática.
Despencada nas formalidades embebo-me em pragmatismo.
Perdida, confusa e acuada.
Mais fácil se lamentar. Dispenso agora os caminhos curvados. Basta de construir, a opção desgastou, hoje tão pouco estou para realismos ou para psicanálise.
Um texto torto adequado ao sen-sen-tidismo. Não quero ser algo para existir.
Respira desse ar rançoso que já vive; Às de espadas do baralho envelhecido.
Que me explodo em esbornia colorida para quem sabe virar confete e respingar alegria.
As favas com as mazelas do mundo, com a (in)felicidade dos outros. Quero virar ego e me deglutir em egoísmo.
Para poder gozar de minhas manias sem lembrar as tuas, sem sentir a culpa do abandono, sem ter os calafrios de saudade que são (quase) asquerosos.
Sendo eu na complexidade simplória das coisas, me entendo, melhor só to que alheiamente amaniada.
A-maniada agora. Porque o “a” sufoca, mas também nega. Passar pelo processo de dês-maniação.
Ser completamente da-dá.
Para me justificar, poder tomar posse do nada e retorcê-lo em novos vícios.

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